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Jovens pagam menos no seguro de vida e mais no de carro


Contratar um seguro não está na prioridade dos brasileiros, principalmente dos mais jovens. A principal explicação para isso, segundo especialistas, é que a pessoa nesta faixa etária tem dificuldade de reconhecer o retorno desse investimento. Mas eles afirmam que vale a pena, sim, reservar um espaço no orçamento para ter um produto que garanta assistência em um momento de dificuldade, que pode ir da perda do celular até uma eventual batida de carro. A dica para quem tem entre 20 e 39 anos é se precaver contra acidentes pessoais e proteger o patrimônio que se começou a construir.

Para esse grupo etário, a boa notícia é que o seguro de vida custa menos. Em compensação, o de automóvel pesa bem mais no bolso, porque costuma ser acionado com mais frequência pelos beneficiários. Confira, a seguir, os principais produtos indicados para os jovens:

Seguro de carro

Garantir o primeiro carro pode sair caro, pois as seguradoras costumam ver esse grupo como o mais propenso a se envolver em acidentes de trânsito. “O seguro de automóvel para um jovem de até 24 anos pode custar 40% a mais em comparação com o serviço oferecido ao motorista que passou dos 40”, afirma Dorival Alves de Sousa, vice-presidente de Relações com o Mercado da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor).

O cliente deve estudar as suas necessidades e fazer pesquisa de preços nas seguradoras. As coberturas oferecidas preveem as mais diversas eventualidades, sendo as principais colisão, incêndio e roubo. Mas também há as que podem assegurar indenização em caso de prejuízo com acessórios e blindagem, por exemplo. “É importante conversar com um corretor para compreender bem o produto que você está comprando”, indica o diretor de Auto e Residência da Liberty Seguros, Mário Cavalcante.

Uma análise minuciosa do cliente é feita pelas empresas antes de fechar o negócio, por meio de um questionário longo, com perguntas sobre o cliente e o carro, como modelo e ano de uso, se o veículo vai ficar na garagem e quem vai usá-lo. Por ser um produto mais caro para os jovens, é comum a tentação de colocar a apólice no nome de um parente mais velho, para não onerar tanto o valor do serviço. Porém, se isso for descoberto, a seguradora não vai pagar o conserto.

Outros critérios de definição do preço entram na conta, como a cidade onde a pessoa vive e utiliza o carro. No caso do Rio, o preço pode subir, por causa do grande número de furtos. Geralmente, as seguradoras dão um desconto para quem instala alarme ou rastreador no veículo.

Uma opção nova no mercado que pode ajudar o consumidor a economizar é o seguro popular para automóvel. O produto é voltado para donos de carros com mais de cinco anos de uso e o preço pode ser até 30% mais barato. “A única ressalva é que, se for necessário substituir alguma peça, a seguradora poderá usar outras que não as originais do fabricante, mas serão devidamente licenciadas”, complementa Dorival.

Seguro de vida

Falar em seguro de vida não é apenas pensar em morte. Vale também para se proteger de acidentes, invalidez ou doenças graves. Em 2015, ocorreram cerca de 500 mil casos de invalidez no País, segundo dados do Ministério da Saúde e do DPVAT. Neles, mais de 50% dos envolvidos eram jovens com até 39 anos.

“O seguro permite se beneficiar do valor da indenização para complementar os custos do tratamento, por exemplo. Jovens e solteiros que valorizam sua independência financeira deveriam pensar sobre o assunto”, afirma o diretor geral de Riscos de Pessoas do grupo segurador Banco do Brasil e Mapfre, Enrique de la Torre.

A vantagem para o jovem é que o seguro é mais barato, na comparação com outras faixas etárias, já que os riscos são menores. Para se ter uma ideia, uma mulher de 20 anos pagaria, em média, R$ 133,98 por ano para ter cobertura de R$ 50 mil em casos de acidente, invalidez e morte. Aos 40 anos, o valor sobe para R$ 258,66. Já aos 60, o preço é de, em média, R$ 1.349,34. A projeção foi feita pelo site Minuto Seguros, com base em cotações da Porto Seguro e Tokio Marine. Vale lembrar que o preço varia ainda de acordo com o perfil do cliente (como a renda ou se é fumante, por exemplo), a cobertura contratada e as condições de contrato. Em algumas modalidades, o prêmio (mensalidade paga pelo contratante) é corrigido apenas pela inflação. Em outras, é por faixa etária.

“Contratar o seguro quando se é mais jovem é uma oportunidade de, no futuro, não ter um custo tão alto quando realmente precisar utilizá-lo. Por exemplo, se aparecer alguma doença grave, já estará coberto e o preço não será afetado por isso”, afirma Marcus Matos, planejador financeiro pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar).

Seguro previdência

Além do modelo tradicional de seguro de vida, existe o seguro-previdência, que permite ao beneficiário resgatar parte dos recursos acumulados, se não utilizar o seguro de vida. Poucas seguradoras oferecem esse produto. Na Mapfre, cerca de 35% das pessoas que o procuram têm entre 30 e 40 anos. As reservas podem ser resgatadas a partir de 24 meses em caso de cancelamento e garantem rentabilidade de 3% ao ano mais a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O prêmio pago pelo cliente varia de acordo com vários fatores, mas o custo médio na empresa é de R$ 630 por mês.

Seguro de celular

Para quem acha que não pode viver sem um celular, ainda mais se for de última geração, cheio de recursos, vale considerar a contratação de um seguro para o smartphone. Cada seguradora trabalha de um jeito, ou estipula um valor fixo ou aplica um percentual sobre o valor do aparelho.

Para receber a indenização, será necessário apresentar provas, como um rasgo na bolsa ou boletim de ocorrência. Por causa do alto número de furtos, um seguro de celular pode sair caro para o consumidor. Segundo o coordenador da Comissão de Tecnologia do Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo (Sincor-SP), Marcelo Blay, o valor do prêmio pode ficar entre 35% e 50% do valor do aparelho, dependendo da frequência de roubo do modelo de celular. Quando ocorrer um sinistro, o segurado precisará pagar uma franquia para receber a indenização.

É preciso analisar com cuidado as ofertas, porque as coberturas não preveem o furto simples (quando não há evidências do furto), perda ou esquecimento. Além disso, a maioria dos seguros também não cobre problemas com acessórios, a exemplo de capas de proteção, carregadores, fones de ouvido e aplicativos, dentre outros itens.


Fonte: Estadão



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